Espiritualidade e Carisma Calabriano

ESPIRITUALIDADE CALABRIANA

 
A espiritualidade calabriana está enraizada e alicerçada constitucionalmente, a partir da inspiração bíblica: "Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e o resto vos será dado por acréscimo" (Mt 6,33).
O respirar da Obra calabriana, é o Evangelho de Jesus Cristo e o seu DNA, a preferência pelos pobres mais abandonados. A nossa regra absoluta e fundamental é a pessoa de Jesus Cristo. A sua característica, haurida do Evangelho, é ser aquela de "antes de tudo considerarmo-nos irmãos e como tais amar-nos reciprocamente um ao outro e ajudar-se especialmente na vida espiritual" (Constituições, 15). 
É na observância e vivência radical ao Evangelho, que brota no coração de Calábria o nosso carisma, que é todo específico, como: "avivar no mundo a fé em Deus, Pai de todos os homens, através do abandono total na sua Divina Providência, intensamente vivido e claramente testemunhado em todos os acontecimentos pessoais e comunitários e nos eventos históricos do mundo" (Constituições, 5). A partir do dito acima e com base no documento "Cartas aos Religiosos", traduzindo de um modo um pouco mais abrangente, descreve-se nos tópicos abaixo.
 

VIVER A NOSSA FÉ

 
Uma das principais realidades do carisma calabriano é vivência da fé, a qual seja prática e operosa. Segundo Calábria, "nenhum contraste deve haver entre a fé que professamos e a conduta que levamos; a fé deve ser a norma constante de nossas ações, de nossos pensamentos, de nossos juízos". Ainda mais, "vivamos uma vida de fé, conscientes que estamos aqui de passagem, que a vida presente não é fim a si mesma, mas preparação à vida verdadeira na bem-aventurada eternidade, e que a esta tudo se deve orientar". Num apelo atual, Calábria diz: "Esta é a hora da fé. Num mundo que se afasta cada vez mais de Deus, acendamos em nós esta chama que ilumina o caminho também para os outros".
 

TEMOS UM DEUS QUE É PAI

 
Calábria acreditava em Deus como Pai, pois "a fé verdadeira e genuína considera Deus não só como Criador e Senhor, mas sobretudo como Pai e Mãe. Fé, portanto, na paternidade de Deus, e confiança ilimitada, filial na sua Divina Providência".
Em outros termos vê-se que, "não há mãe que ame tanto seu filho, como Deus ama todos e cada um de nós. A tudo Ele chega, até mais e melhor do que a luz do sol ao fio da erva ou ao átomo perdido nos espaços. Ele contou até os cabelos de nossa cabeça e sem sua permissão não nos cai nenhum; os pássaros do céu que não ceifam e não enchem os celeiros, são quotidianamente nutridos por Ele, que também providencia uma veste resplandecente para os lírios do campo".
 

ABANDONAR-SE À DIVINA PROVIDÊNCIA

 
No contexto de uma fé viva em Deus Pai, São João Calábria desenvolveu a sua confiança na Providência. Por Providência entende-se o próprio Deus que, com amor infinito, torna-se presente em suas criaturas e, sobretudo, nos seus filhos e filhas, quer na sua vida pessoal, quer na sua vida social, conduzindo-as rumo ao seu maior bem. Para o povo cristão o Calábria é o "Santo da Providência".
O abandono nas mãos do Pai é o compromisso primário de quem pertence à Obra; até por que, "o espírito de nossa Obra quer que tenhamos sempre uma ilimitada confiança, um terno e filial abandono na paterna, sempre vigilante e amável Providência Divina". Além disso, "a Divina Providência é uma terna mãe que tudo ordena para o nosso bem, para o nosso maior bem". Os Pobres Servos "vivam a vida da fé e do abandono em Deus, sintam-se seguros nele e em sua proteção".
A confiança total em Deus, o abandono em suas mãos e a paz que daí provém fazem amadurecer uma outra atitude interior: a disponibilidade. "Dispostos a tudo" repetia frequentemente o Calábria.
 

RETORNAR ÀS FONTES DO EVANGELHO E AMAR A VIDA DE ORAÇÃO

 
Outro elemento importantíssimo, que Calábria acena é o de retornar às fontes do Evangelho, "retornemos à prática do santo Evangelho, sem mutilações nem interpretações arbitrárias, mas procurando penetrar no significado e no espírito puro e genuíno para, depois, conformar a estes os nossos juízos e a nossa vida". É preciso um comunhão contínua com a Palavra de Deus, para que "sejamos Evangelhos vivos, e antes de pregá-lo, pratiquemo-lo. O Evangelho seja por nós aplicado ao pé da letra".
Por fim, a santificação pessoal para depois santificar o mundo, desse modo, Calábria fortemente dizia: "ou se crê ou não se crê; e então, se não se crê, rasgue-se o Evangelho. Dá-se muita importância à palavra dos homens na terra! Tudo bem. Mas muito mais importância deveríamos dar à Palavra do Senhor! Acreditemos, portanto, no Senhor, tenhamos confiança na sua Palavra".
A oração é o sustento espiritual da vida humana, "irmãos, oremos, oremos! A oração unida a uma vida santa faz milagres e agora é mesmo de milagres que se precisa para que tudo volte à ordem. Irmãos, isto é que nos cabe, coisa grande, nobre, divina: orem e peçam aos outros que orem". É pela oração verdadeira e desinteressada que se pode haver intimidade profunda com Deus, mas recorda Calábria que a oração não pode ser "feita de qualquer jeito, só com os lábios, e sim com uma oração que parta do coração". Pois só assim, poderá ser "reservatórios e canais".
 

O MANDAMENTO DO CARIDADE

 
Os pobres são as riquezas de Pe. Calábria. A caridade é amor recebido e dado; é graça. A sua nascente é o amor que advém do Pai pelo Filho no Espírito Santo. Calábria sempre pedia aos religiosos (as) para "ir aos mais pobres, aos mais humildes, aos doentes, aos mais desafortunados, que são os mais queridos e nos quais Jesus quer ser representado. Eis a nossa característica: não aos grandes, mas aos mais pequenos que nos envia o Senhor".
Para que haja a caridade "é necessário que os componentes desta Obra (irmãos e sacerdotes) sejam um só coração e uma só alma, no doce e querido vínculo da caridade, e que obedeçam como a Jesus bendito a quem no seu nome preside a Obra". Duramente asseverava "se eu souber que um religioso não tem caridade, de joelhos, pedir-lhe-ia que fosse embora, pois ficando, estragaria a Obra". Por fim, "gostaria que em todas as paredes das nossas Casas estivesse escrito: CARIDADE! Além disso, "gostaria de poder morrer com esta última palavra nos lábios: CARIDADE"!