
» CASA LAR FAROL DA ESPERANÇA: ONDE UMA PRECE FOI ATENDIDA
As preces são atendidas - muitas vezes melhor do que se esperava. Foi o que aprendeu o pai social Claiton Henriques Bell, que ao lado da sua esposa, Alissandra Burati, está à frente da Casa Lar Farol da Esperança de Viamão, que abriga oito crianças e adolescentes.
Mas, em 2004, Claiton nem pensava em ser pai social. Estava desempregado, e angustiado. Procurando emprego nas proximidades de sua casa, em Viamão, chegou ao Abrigo João Paulo II, onde uma vizinha trabalhava. Deixou o seu currículo, e ao chegar ao portão, fez uma oração, pedindo a Deus que lhe desse aquele emprego, pois precisava muito.
Alguns dias depois, foi chamado para trabalhar em serviços gerais. Depois, ganhando a confiança dos dirigentes, passou a ser monitor - na época o abrigo ainda funcionava no modelo antigo, em que não havia pais sociais, mas monitores que se revezavam por turno cuidando dos acolhidos.
Claiton já estava satisfeito com o que havia conseguido, até que um dia levou um susto. O diretor do Abrigo, Padre Délcio, o chamou e disse que o Abrigo iria passar por uma reestruturação. Ele seria despedido, mas posteriormente seria contratado para uma nova função, melhor e mais interessante.
"Pensei que isso era conversa para eu não ficar triste", admite Claiton. Ele estava enganado. Alguns meses depois o padre o convidou para voltar - agora como pai social, ao lado da esposa. Argumentou que, dessa maneira, o casal estaria junto todo o tempo, e o filho, Alisson, também passaria o dia todo com o casal. Tanto argumentou que convenceu: e Claiton e Alessandra se tornaram pais sociais em agosto de 2006.
Foi uma experiência totalmente nova para o casal. Acostumados com o filho único que, admitem, cobriram de mimos, se viram às voltas com crianças que, muitas vezes, nunca haviam recebido afeto. Muitos chegavam arredios. Outros, nem sabiam comer com talheres.
Para conquistá-los, o casal aprendeu a usar uma mistura de afeto com firmeza. Afeto para acolher, firmeza para que aprendam que têm responsabilidades e que o futuro de cada um deles está nas próprias mãos. A fórmula funciona: a criançada da casa altera momentos de estudo e brincadeira, com os pais participando ativamente em ambos.
Saber ser criança, explica Claiton, também é importante. É por isso que ele e Alissandra não se fazem de rogados para jogar bolinha, brincar de boneca ou no balanço. "Algumas das crianças desconhecem a experiência de ter um adulto ao lado em momentos felizes. Muitos deles cresceram tendo que pedir em uma sinaleira, tendo que trabalhar. Brincar com eles é ajudar a terem boas recordações da infância", comenta Alissandra.
A grande variação de idades do grupo que está atualmente na casa também é considerado, pelo casal, um fator positivo. "Os maiores se sentem valorizados, mais responsáveis, e os menores passam a ter um modelo para seguir", lembra o pai social, que reconhece "eu também aprendo muito nesse processo". Tanto que decidiu voltar a estudar, completado o segundo grau, para dar o exemplo para as crianças. E não deixa por menos: é o melhor aluno da turma.
A convivência em família tem sido motivo de aprendizado não só para o casal, mas também para o filho deles, o Alisson. Antes, confessa o pai, ele era muito mimado e egoísta. Agora, aprendeu a dividir e tem prazer em compartilhar com seus irmãos que não são de sangue, mas são de coração.
A FAMÍLIA
O casal Claiton e Alissandra é pai de Alisson (8 anos) e pai social de Larissa (9 anos), José Luís (9 anos), Israel (10 anos), Daniel (12 anos), Alice (13 anos), Andressa (14 anos), Alexandro (16 anos) e Fábio (16 anos).
Daniel e Israel são irmãos de sangue.
Larissa e Alice são irmãs de sangue.
Todos são irmãos sob o olhar protetor de Claiton e Alessandra.

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