
» São João Calábria - 10 anos
CANONIZAÇÃO DE JOÃO CALÁBRIA COMPLETA DEZ ANOS

João Calábria, fundador das Congregações Pobres Servos da Divina Providência e Pobres Servas da Divina Providência, foi canonizado em 18 de abril de 1999, na praça da Basílica de São Pedro, em Roma. Neste ano, celebramos 10 anos deste importante acontecimento na vida das Congregações. Com a canonização (santo), a veneração e o culto são estendidos ao mundo inteiro. O nome e o dia de sua festa são colocados no calendário universal da Igreja (08/10).
São João Calábria foi sensível às necessidades de seu tempo. Sofria junto com as crianças e adolescentes abandonados e marginalizados. Preocupado com o futuro destes, ele começou o trabalho de acolhida e promoção destas crianças e adolescentes.
Sentia-se impelido interiormente por um desejo intenso de ser todo de Jesus e amar as almas com um imenso amor. Havia tomado o solícito cuidado dos meninos abandonados que a Providência lhe fazia encontrar pouco a pouco. Além de esforçar-se de todas as formas para prover-lhes casa e educação, a alguns acolhia em sua paupérrima casa.
Calábria foi um santo homem que marcou a história. Podemos notar isso no depoimento de algumas pessoas.
O bispo de Verona, dom José Carraro, no primeiro centenário do nascimento de Calábria, em 8 de outubro de 1973, prevendo sua canonização escreve: "Agradecemos a Deus por ter dado à Igreja de Verona a esplendorosa e amável figura de padre João Calábria. Ao tentar analisá-lo atentamente, parece um prisma de diversas faces. Há, porém, uma luz interior que ilumina a todos, que é a fidelidade ao Evangelho. Uma fidelidade simples, linear e robusta, nutrida de abandono à Providência. Uma fidelidade simples, de intensa oração, de amor obediente à Igreja, de serviço incondicional aos mais pobres e aos mais abandonados. No padre Calábria, Deus presenteou um grande dom à Igreja de São Zeno (Verona - Itália). Que ele permaneça como um luminoso farol para nos mostrar o verdadeiro caminho da "renovação" promovida pelo Concílio. Que tal renovação permaneça como um ponto de referência e de verificação da autêntica apostolica vivendi forma, que hoje muitos invocam e procuram. Que sua voz ressoe ainda, para exortar, admoestar, chamar de volta... E que ele una a sua à nossa súplica para obter uma renovada primavera de santos na Igreja de São Zeno e na Igreja Universal."
Em 4 de dezembro de 1984, monsenhor José Amari dizia: "Padre Calábria pregou o Evangelho com a própria vida, com as obras, com a palavra. Seu sacerdócio profético não conheceu pausas, nem rotinas, nem desgastes. [...] Mas o que nele surpreende - considerada a impressionante aceleração da história destes últimos anos - é a atualidade de sua mensagem, como se ele tivesse a intuição profética dos tempos que só agora estamos vivendo."
Transcrevemos também a Homilia do Papa João Paulo II no dia da Canonização: "[...] tomou o pão e abençoou, depois o partiu e deu a eles. Nisso os olhos dos discípulos se abriram, e eles reconheceram Jesus" (Lc 24,30-31).
Há pouco, temos escutado estas palavras do Evangelho de Lucas: elas narram o encontro de Jesus com dois discípulos rumo a Emaús, no dia da ressurreição. Esse encontro inesperado faz nascer no coração dos dois peregrinos desanimados a alegria e reacende neles a esperança. O Evangelho lembra que, quando o reconheceram, "na mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém" (Lc 24,33). Eles sentiam a
necessidade de contar aos Apóstolos "o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão (Lc 24,35).
No coração dos que creem, quando se encontram pessoalmente com ele, brota o desejo de dar testemunho de Jesus. É o que aconteceu aos três novos santos, que hoje tenho a alegria de elevar à glória dos altares: João Calábria, Marcelino Champagnat e Agostina Lívia Pietrantoni. Eles abriram os olhos diante dos sinais da presença de Cristo. Adoraram-no e acolheram-no na Eucaristia; amaram-no nos irmãos mais necessitados e reconheceram os traços do seu plano de salvação nos acontecimentos da vida cotidiana.
Escutaram as palavras de Jesus e permaneceram em sua companhia sentindo arder o coração em seu peito. Qual fascínio indescritível exerce a misteriosa presença do Senhor naqueles que o acolhem! É a experiência dos santos. É a mesma experiência espiritual que nós também podemos fazer, andando pelas estradas desta terra em direção à pátria celeste. O ressuscitado vem também ao nosso encontro com a sua Palavra, revelando-nos o seu amor infinito no sacramento do pão eucarístico, repartido para a salvação de toda a humanidade. Possam os olhos do nosso espírito abrir-se à sua verdade e ao seu amor, como aconteceu com o padre João Calábria [...].
"Deus ressuscitou este Jesus. E nós somos testemunhas disso" (At2,32). "E, nós todos somos testemunhas disso": é Pedro quem fala em nome dos apóstolos. Na voz dele, reconhecemos a voz de outros numerosos discípulos que, no decorrer dos séculos, fizeram da sua vida um testemunho do Senhor morto e ressuscitado. Os santos hoje canonizados unem-se a este coro. Une-se o Padre João Calábria, testemunha exemplar da ressurreição. Nele resplandecem a fé ardente, a caridade genuína, o espírito de sacrifício, o amor à pobreza, o zelo pelas almas e a fidelidade à Igreja. [...]
Toda a existência de João Calábria foi Evangelho Vivo, transbordante de caridade: caridade para com Deus e caridade para com os irmãos, sobretudo os mais pobres. A fonte de seu amor para com o próximo era a confiança ilimitada e o abandono filial que sentia em relação ao Pai celeste. Gostaria de repetir aos seus colaboradores as
palavras evangélicas: "Em primeiro lugar, busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas" (MT 6,33). [...]
(João Paulo II, 18 de abril de 1999 - Basílica de São Pedro)
A vida de Calábria é um exemplo de como devemos viver e em tudo buscar a Deus confiando na sua providência.
A família calabriana do Brasil e no mundo rende louvores a Deus por esta graça e bênção que é Calábria.
São João Calábria. Rogai por nós.
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